Sexta-feira 13 é dia de resgatar gatos pretos

Papel de parede gato preto

No final desta segunda sexta-feira 13 do ano muitos gatinhos pretos podem ser vítimas de maus-tratosou de rituais de magia negra. Isso porque, no Brasil, os felinos da cor ainda são muito associados ao azar pela simbologia da data, às trevas e à figura mitica das feiticeiras. Muitas pessoas acabam levando assuperstições a sério e maltratam o animal.

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Por meio da campanha ‘Gato preto dá sorte‘, a ONG Adote um Gatinho, que já doou mais de 4,5 mil bichanos, quer mudar essa ideia. A instituição utiliza a rede social para conscientizar as pessoas de que essa superstição gera grandes consequências. “As pessoas realmente acham que o gato preto dá azar. Muita gente ainda acredita nisso e é capaz de chutar o animal se encontrá-lo na rua. Eu costumo dizer que não é porque a “roupinha”  dele é preta, que ele traz azar”, assegura Solange Carneiro, 38, voluntária da ONG Adote um Gatinho.

As campanhas de conscientização estão gerando bons resultados. “Depois da campanha, a quantidade deadoções de gatos pretos aumentou bastante”, comemora.

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Solange é a responsável pelo resgate dos animais na instituição. Ela recebe, em média, 30 e-mails com denúncias por dia. “Não conseguimos atender a todos os pedidos por falta de vagas. Ao todo, temos 440 gatos abrigados nas casas dos voluntários. O nosso limite é de 250! Se não fosse essa superlotação, todos os casos seriam atendidos”, explica. As denúncias têm ajudado o trabalho da ONG que acolheu inclusive, alguns gatos encontrados na casa de Dalva Lima da Silva, em São Paulo, acusada de matar pelo menos 33 animais, entre gatos e cachorros, e depois jogá-los no lixo, em janeiro deste ano. “Atendemos a esses casosurgentes com prioridade, pois o animal está correndo sérios riscos de vida”.

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Nas sextas-feiras 13, os voluntários do Adote um Gatinho intensificam o trabalho de conscientização. “Quando há conscientização, a pessoa que vê essas coisas acaba denunciando. Os voluntários da ONG “Confraria Miados e Latidos” também realizam um trabalho intensivo em datas como essa. “Nós buscamos gatos pretos em pet shops, principalmente nos que ficam próximos a cemitérios. Hoje à noite, seis de nós sairão de casa exclusivamente para ficar de olho nesses lugares”, assegura Tatiana Sales, 35, fundadora da ONG.

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“Na primeira sexta-feira 13 deste ano, resgatamos um gatinho preto que estava com a pata completamentequeimada sem pele. Ele estava em um estado tão crítico, que a pessoa que o encontrou pensou que já estivesse morto. Os gatos usados em rituais são identificados por conta do estado em que estão quando encontrados. “Geralmente eles têm farofa dentro do ouvido e da boca. Uma vez encontramos um filhotinho com 40 alfinetes nas costas”, conta.

Casos como esse têm sido cada vez mais comuns nessas datas. “Por isso, o cuidado para doar um gato preto é dobrado”, diz Solange. “Além do questionário, entrevistamos a pessoa para entender o porquê dapreferência em adotar um gato preto”, explica Tatiana. “Uma vez uma pessoa queria muito adotar um gato preto, mas ficou insistindo muito para darmos a certeza de que ele não tinha nem um pelo branco“, contou.

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A principal maneira de perceber se alguém está atrás do animal para usá-lo em rituais de magia negra, é observar o comportamento na hora da adoção. “A gente age como um psicólogo”, brinca Solange.

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Clique no link para conhecer mais o trabalho das ONGs, Adote um Gatinho e Confraria Miados e Latidos.

(Por Marina Knöbl)

Fotos: Shutterstock e Divulgação/Confraria Miados e Latidos

Você pode conferir a matéria original aqui. 

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Mari tem 24 anos, mora em São Paulo e é jornalista – mas às vezes pega uns freelas de design. É pisciana, palmeirense e apaixonada por comida japonesa. Adora gatos, The Sims e Milkshake, não necessariamente nessa ordem.