Fascite Plantar: o que fazer para melhorar a dor

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Hoje vou compartilhar o meu drama pessoal com vocês. Desde o ano passado, comecei a sentir algumas dores na perna. Primeiro foi na academia. Quando fazia aulas de jump ou quando corria, mesmo que ainda tivesse disposição e fôlego, parava porque uma dor absurda acometia minha panturrilha, a minha canela e principalmente meu pé. Pouco tempo depois fiquei com o tendão de Aquiles inflamado por uns dias, era uma dor absurda. Doía só de encostar!

Depois de um tempo, passou. Na virada de 2014 para 2015 fui para a praia e quando pisava na areia, sentia uma dor horrível no pé. E atualmente, meu calcanhar está inflamando frequentemente. Comecei a desconfiar do sapato que estava usando, afinal, a maioria das mulheres trabalha de sapatilha ou de salto alto no Brasil. Tem até um estudo bem legal sobre isso.

Nesta semana as dores no calcanhar ficaram muito fortes. É uma dor tão absurda, que parece que você está com um gancho embaixo do pé e a cada passo, dói mais. Para vocês terem ideia, acordei várias noites com a dor que sentia. E mesmo ao acordar, logo de manhã, eu acreditava que após uma noite inteira de repouso estaria melhor. Mas era só colocar o pé no chão para a dor voltar.

Então eu fui ao ortopedista. Na consulta, contei toda o histórico e recebi o diagnóstico de fascite plantar. Vou dividir a minha experiência com vocês e dar algumas dicas para quem está sentindo dores fortes no calcanhar e não sabe o que pode ser.

O primeiro passo é: identificar onde está a dor que você sente.

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Na consulta, relatei como era a dor que sentia, quando começou e ele me fez algumas perguntas para verificar os fatores que podem ter desencadeado o problema como: você tem praticado algum tipo de esporte? Aumentou de peso recentemente? Que tipo de sapato costuma usar com mais frequência?

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Depois, eu subi em um “quadrado de vidro” que tem um espelho na parte de baixo, parecido com esse da foto acima. Esse objeto é usado para verificar qual é o tipo do pé do paciente. Quando você sobe, o médico olha pelo espelho a pressão que seu corpo faz nos pés. A imagem formada no vidro revela o como o seu peso é distribuído.

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Como era de se esperar, o meu pé é cavo, por isso o impacto se concentra no calcanhar, como dá pra ver na imagem acima. Outro fator que influencia no diagnóstico é o tipo de pisada. Eu já havia feito testes anteriormente e o médico também detectou na consulta. Resumindo: o meu pé é cavo e minha pisada é a supinada. Foi aí que recebi o diagnóstico de fascite plantar.

O tipo de pisada reflete como distribuímos a pressão gerada por nosso peso corporal e pelo impacto do movimentos nas plantas dos pés. Essa pressão é gerada a cada passo, seja andando ou correndo.

Supinadores: tendem a apoiar a parte externa do calcanhar com mais intensidade, o movimento segue pela borda externa do pé e o impulso é concentrado nos últimos dedos. Geralmente têm pé cavo.
Neutros: a pisada começa no calcanhar, o pé percorre o solo de modo mais uniforme e o impulso é dado pelo apoio dos três primeiros dedos.
Pronadores: tendem a começar o movimento mais pela parte interna do calcanhar, apoiar mais a borda interna do pé e, por fim, concentrar o impulso na área do hálux. Geralmente tem pé plano.

Dá uma olhada no gráfico:

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É muito importante fazer uma avaliação chamada: teste de pisada. O médico me explicou como o problema pode ter sido causado, no meu caso, claro. Ele explicou que como o calcanhar é a parte que mais recebe o peso do meu corpo, é como se o dia todo eu ficasse batendo ele com força no chão (ao considerar o impacto da pisada). Imagina COMO deve estar a fáscia! E o que ele me disse foi o seguinte: não adianta tomar anti-inflamatório, porque quando o efeito passar os sintomas voltam. O tratamento exige fisioterapia e mudança nos hábitos. Sobre hábitos, ele se referia ao uso de uma palmilha que distribua o impacto e o hábito de fazer alongamento.

O gif abaixo mostra direitinho as diferenças entre os tipos de pisada:

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O que é Fascite Plantar?

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A fascite plantar é uma das causas mais comuns de dor no calcanhar. Trata-se de uma inflamação de um tecido chamado fáscia plantar, localizado na sola do pé e que conecta o calcâneo (osso que forma o calcanhar) aos dedos. O problema ocorre quando há muita tensão ou uso excessivo da fáscia plantar, o que pode provocar dor e dificuldade para caminhar. Tem um vídeo muito bom sobre o assunto no programa Bem Estar.

Alguns relatos:

“Tratei quase um ano e hoje estou curado. Comecei sentindo uma forte queimação no fundo do pé, somente o direito, que subia até a canela, quando corria mais que 30 minutos. O tratamento foi corrida na areia, antiinflamatorios,fisoterapia e massagens com bola. Talvez, o uso de um tênis com pisada errada tenha contribuído para minha lesão”.

Jairo Santana (Rio de Janeiro, RJ)

“Dói muito quando você pisa pela manhã ao acordar. Fiz fisioterapia, coloquei gelo, passei antiinflamatório, pomada local, fazia alongamento e massagem com bola tipo mamona. Como o gelo não surtia resultado em mim, o médico mudou para água quente, foi o que melhorou. Colocava o pé três vêzes ao dia de molho numa bacia de água quente. Fiquei três meses afastada das corridas, repouso total. Só assim melhorou”.

Dori Lemos (Rio de Janeiro, RJ)

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam as chances de haver tensão ou uso excessivo do tecido plantar do pé. São eles:

  • Idade. Fascite plantar é mais comum em pessoas na faixa dos 40 a 60 anos
  • Alguns tipos de exercício físico. Atividades que colocam estresse excessivo sobre o calcanhar e a fáscia plantar, como corrida de longa distância, ballet e outros tipos de dança, podem contribuir para a ocorrência de fascite plantar
  • Pés com anormalidades. Pé chato, pé cavo ou qualquer outro problema nos pés pode facilitar a ocorrência de fascite plantar
  • Obesidade. Uma pessoa com obesidade, por sobrecarregar os músculos e ossos das pernas e pés, apresenta maiores riscos de ter fascite plantar
  • Ocupações. Algumas profissões exigem muito dos pés dos funcionários, a exemplo de operários, professores, atendentes e outras que passam a maior parte da jornada de trabalho em pé ou caminhando. Essas ocupações podem levar a um quadro de fascite plantar
  • Tensão sobre o tendão de Aquiles (que liga os músculos da panturrilha ao tornozelo)
  • Calçados inadequados, com solas macias demais ou que não oferecem apoio suficiente à curvatura do pé.

Sintomas

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As queixas mais comuns são dor, rigidez e queimação na sola do pé. A dor pode ser aguda ou crônica e ela costuma ser pior:

  • Pela manhã, ao dar os primeiros passos
  • Após ficar em pé por muito tempo
  • Ao subir escadas
  • Após atividades físicas intensas.

A dor pode se desenvolver lentamente com o passar do tempo, mas também pode ocorrer repentinamente após atividade intensa. Para realizar o diagnóstico, o médico começará esboçando um histórico médico do paciente, seguido de um exame físico, que poderá mostrar:

  • Sensibilidade na sola do pé
  • Pé chato ou pé cavo
  • Inchaço leve ou vermelhidão no pé
  • Rigidez ou tensão do arco na sola do pé.

Geralmente, testes adicionais para diagnosticar fascite plantar não são necessários, mas raios-X e outros exames de imagem podem ajudar a descartar outros problemas.

O que fazer?

Procure um especialista se você sentir dor intensa ou contínua na região da sola do pé. Anote seus sintomas para não esquecer de descrevê-los ao médico detalhadamente. Tire todas as dúvidas e responda às perguntas que ele deverá lhe fazer, como:

  • Quando seus sintomas começaram?
  • Os sintomas são mais comuns em algum momento específico do dia?
  • Que tipo de atividade física você pratica?
  • Sua ocupação exige que você fique em pé por muito tempo?
  • Onde a dor está mais localizada?
  • Há alguma medida que melhore ou piore seus sintomas?

Como é o tratamento?

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O tratamento para fascite plantar é geralmente feito à base de medicamentos e fisioterapia.

Os medicamentos recomendados pelos médicos são analgésicos para reduzir a dor e anti-inflamatórios para diminuir a inflamação. Exercícios de alongamento, repouso e o uso de sapatos mais adequados são outras recomendações médicas que costumam ser frequentes. O fisioterapeuta pode, ainda, indicar exercícios específicos para ajudar na recuperação, fortalecendo os músculos danificados e, também, mostrando como praticar atividade física sem colocar pressão excessiva sobre a sola do pé.

(Fonte: Minha Vida)

Onde acho uma palmilha?

Você encontra a palmilha em vários sites e lojas especializadas em produtos ortopédicos. PORÉM, não adianta comprar uma palmilha que achar que serve porque ela pode não resolver nada. Eu mesma fiz isso e a que estava usando não funcionava – era só uma “calcanheira”, por isso não chegava na parte do arco, e não tinha o botão “piloto”. Eu nem sabia o que era tudo isso, descobri que existem muuuuitas opções de palmilhas. Concluindo: não  tem como você saber qual tipo de palmilha vai resolver seu caso sem se consultar com um especialista primeiro. Além disso elas custam bem caro. Não vale a pena comprar sem ter certeza de que ela é a certa para você! Mas se você já sabe qual é o seu problema e qual palmilha é a certa para o seu caso, vou indicar lojas para comprar.

A minha eu comprei no Site dos pés e pesquisando, encontrei duas lojas que fazem palmilhas sob medida: a Pé Sem Dor a Palmipé.

Como evitar que a dor volte

A principal maneira de evitar que o problema volte é: usando uma palmilha especial, escolher o tipo certo de tênis para você antes de praticar atividades físicas e fazer o alongamento dos membros posteriores com frequência. Criei um infográfico explicando como você deve alongar!

 

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Para saber o tempo certo de cada um dos exercícios acima, acesse.

Achei outro infográfico bem legal com alguns exercícios bem simples para fazer em casa.

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Como escolher um tênis adequado?

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O primeiro passo é identificar o seu tipo de pisada. É sempre bom ir a um ortopedista, caso sinta qualquer tipo de desconforto após ou enquanto praticar atividades físicas. Algumas lojas de tênis (como a World Tenis) ou as especializadas em artigos ortopédicos, fazem o teste de pisada na hora.

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Dica de como fazer o teste da pisada em casa: molhe os pés em um balde d’água. Depois, marque sua pisada num papel de jornal ou cartolina. Através do desenho formado, será possível descobrir se sua pisada é normal, supinada ou pronada.

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Outra forma de analisar o tipo de pisada, é reparando no desgaste do solado do seu tênis de corrida. Se você tiver a pisada neutra, o desgaste de seu tênis estará no extremo do calcanhar e no centro da planta do pé. Se a pisada for do tipo pronada, o solado desgasta mais para dentro no calcanhar e na parte interna do pé. A pisada supinada, deixa o tênis mais gasto na borda externa.

Basicamente, a sua prioridade vai variar de acordo com as seguintes variações: tipo de pisada (alinhamento dos pés) e tipo de pé (ou tipo de arco), dá uma olhada nesse resumo:

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No site da Mizuno você pode responder a um formulário que indica qual tênis é mais adequado para você! E muitos sites dão dicas de como escolher um tênis de corrida. É só pesquisar :).

 Depois que a dor passar, lembre-se das seguintes dicas antes de praticar exercícios físicos de impacto:

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Bom, acho que é isso. Lembrando que este post JAMAIS teria a intenção de substituir a consulta com um especialista. O objetivo é apenas compartilhar conhecimento e a minha experiência. Espero ter te ajudado :) Se tiver feito diferença, me deixa um comentário! Um beijo e boa sorte.

(Fonte: )

 

More about marinaknobl

Mari tem 24 anos, mora em São Paulo e é jornalista – mas às vezes pega uns freelas de design. É pisciana, palmeirense e apaixonada por comida japonesa. Adora gatos, The Sims e Milkshake, não necessariamente nessa ordem.

  • Pingback: Resenha: favoritos do mês de janeiro | Achados da Mari()

  • Excelente post, bem esclarecedo.
    Parabéns!!

  • Andrea Camara

    Nenhum lugar cita como causa, mas no meu caso, foi a gravidez que me causou a fasciiti plantar. Tenho mais de 40 anos, coloquei 15kg na gravidez e moro em sobrado. Agora, praticamente estou no meu peso normal, apesar de ainda amamentar (peso dos seios), sou magrinha, mas a dor ainda se mantém. Vou tentar fazer algumas das sugestões aqui.