Filme para ver no final de semana: Malévola

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Nesse final de semana fui ao cinema com minhas irmãs e minha mãe assistir ao filme Malévola. A Bela Adormecida é o meu filme de princesa favorito! E eu e minha irmã sempre ficamos muito assustadas porque em um determinado momento da fita cassete o volume aumentava sozinho, provavelmente por defeito mesmo. E adivinhem a hora? Quando a Aurora está subindo as escadas para furar o dedo na roca. Pois é.

Minhas impressões sobre o filme poderiam ser trágicas. Se tratando do meu filme preferido, não queria voltar decepcionada. E eu já sabia que a história acabava com a fama de vilã horrorosa da Malévola e a transformava em uma “vilã por circunstância” ou melhor: uma vilã injustiçada. Mas não. Como era de se esperar, afinal estamos falando da Disney, o filme tem um roteiro IMPECÁVEL e revela uma história bem diferente da que fomos apresentados há mais de 50 anos.

Não vou dar spoiler, mas como vocês podem ver no poster, logo abaixo do título do filme está escrito”no creas en cuentos de hadas” (não acredite em contos de fadas). E é bem isso: o filme humaniza a história acabando com esse maniqueísmo supercomum nas histórias que contaram pra gente na infância. Apesar de se tratar, sim, de um conto de fadas, o filme tem um reviravolta impressionante. O desafio era muito grande: como mudar um conto sem reescrever uma história completamente diferente em cima dele? E a Disney, mais uma vez, conseguiu.

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As personagens são muito fortes e o visual da Jolie é FANTÁSTICO. Ela está realmente linda, elegante e muito, mas muito sexy como vilã. O mais legal é que a personagem que ela conseguiu construir é, ao mesmo tempo, malvada e doce. No filme ela usa uma lente de contatos verde e a maquiagem inspirada na Lady Gaga deixou o rosto dela bem fino e ossudo. Isso sem falar do batom vermelho que ressalta – ainda mais – os lábios carnudos da atriz. A escolha final do figurino também me agradou, e ficou bem fiel à caracterização original do filme de 1959.

Esse é um filme que, sem dúvida, vou querer ter o dvd em casa pra ver quando quiser :)

Saiba por que gostei tanto do filme

Antes de mais nada, CONTÉM SPOILER!!!

Antes de mais nada: a lição que o filme deixa não poderia ser mais linda: perdoar. É um filme sobre o amor verdadeiro. Que amor é esse? Nos filmes da Disney geralmente a princesa se apaixona por um príncipe qualquer, geralmente à primeira visto, após vê-lo uma vez e só. E os vilões são completamente “do mau”. Não têm qualidades, não têm virtudes. Não podem cometer um ato sequer de bondade. São do mau e ponto final. Nós sabemos que as pessoas são feitas de coisas boas e ruins. Todos temos sentimentos bons e sentimentos maus. (Adoro essa lição de moral do Sirius Black em Harry Potter e a Ordem da Fênix *-*).

No filme a primeira grande revolução para um conto de fadas é que Aurora não acorda com um beijo de um príncipe que viu uma vez só na vida e que -apesar de ter se interessado por ele – não o ama. Sim, o amor é um sentimento complexo. Não dá pra acordar com um beijo de amor verdadeiro dado por um cara que você viu uma vez na vida, né gente? Outra prova de que o amor se constrói com o tempo é que a princesa, que ficou 16 anos longe dos pais, volta pro castelo e é extremamente ignorada pelo rei, que está completamente obcecado em se vingar e matar Malévola. E aí te digo de novo: claro que amor de pai/mãe é uma coisa linda. Mas experimente ficar longe de seu filho por 16 anos e veja se o reencontro vai ser como nos contos de fadas. É claro que o filme deixou isso bem claro, até demais. Mas vemos isso sempre, na tv. Reencontrar um pai que esteve ausente não é a coisa mais fácil do mundo, envolve uma série de sentimentos. E nesse filme dá pra entender por que Aurora escolhe viver com a Malévola no final de tudo. O segundo grande ato de revolução para um filme da Disney é o fato de que a Malévola, na verdade, não é um monstro sem coração, uma bruxa horrorosa sem sentimentos, uma pessoa 100% malvada. Ela foi enganada pelo pai de Aurora. No filme ele rouba a asa de Malévola, mas na verdade, a roteirista assumiu que essa cena remete à narrativa de um estupro. É uma metáfora – genial. Após sentir um ódio incontrolável, Malévola lança a maldição sobre a princesa. Mas com o tempo, acaba se apegando à menina. E percebe que não deve fazer mal à Aurora, apesar de não perdoar seu pai pela maldade cometida. E foi isso que me encantou: os roteiristas conseguiram deixar um conto de fadas tão… humano! Aqui tem um artigo ótimo sobre o filme escrito por Jenniffer Queen 

 

Se você também tiver assistido, conta pra mim o que achou nos comentários!

Deixo aqui a versão do trailer com a trilha de Lana Del Rey, que ficou demais!

 

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Mari tem 22 anos, mora em SP e é jornalista e designer. É pisciana, palmeirense e apaixonada comida japonesa. Gosta de gatos, The Sims e Milkshake, não necessariamente nessa ordem.